Will Power vence as 500 Milhas de Indianápolis

Will Power vence as 500 Milhas de Indianápolis

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domingo, 27 maio 2018
Formula Indy

Por: Danilo Dias, de São Paulo

 

Enfim, Will Power chegou ao título das 500 Milhas de Indianápolis. O piloto de 37 anos da Penske demorou, flertou com a vitória algumas vezes e depois de tanto insistir, entrou para o hall dos vencedores da mais importante corrida de automobilismo do mundo. Não foi fácil! Com a concorrência forte de seus companheiros de Penske, além do sempre indigesto Ed Carpenter que mostrava-se com enormes possibilidades de vitória também. No final, o piloto do carro prata número 12 venceu e adiou o sonho dos outros pilotos do grid para 2019.

 

Como foi

A largada das Indy 500 foi tranquila, sem grandes contratempos e com Ed Carpenter mantendo a ponta. Tony Kanaan com uma boa largada galgava posições e na quarta volta já vinha na sexta posição após largar em décimo. Durante o primeiro stint, a corrida transcorreu sem grandes alterações nas posições, até que James Davidson começou a ter problemas no carro, que saia muito de traseira. Isso gerou uma fila de carros que se juntaram devido à lentidão do piloto.

Na volta 30, as paradas começaram a acontecer. Os líderes levaram seus carros aos boxes a partir da volta 32. Carpenter manteve a liderança do grupo com o francês Simon Pagenaud andando próximo. A Foyt trabalhou bem e após as paradas, Tony Kanaan assumiu a segunda posição da corrida. Hélio Castroneves também vinha forte e já colocava seu Penske na quinta posição.

Foto: Jim Haines / Indycar.com

Muitos retardatários já apareciam com quarenta voltas completadas, gerando um novo desafio aos lideres. Seguiam na ponta Ed Carpenter, Tony Kanaan, Josef Newgarden, Simon Pagenaud e Hélio Castroneves no top 5, já com 45 voltas completadas. Enquanto isso, Davidson seguia como problema na pista, andando lento e atrapalhando o pelotão. Tanta lentidão causou a primeira bandeira amarela da corrida, na volta 48. O campeão de 2017 da prova, o japonês Takuma Sato que vinha sofrendo no meio do pelotão, mas que seguia na volta do líder, não desviou a tempo e acertou a traseira de Davidson na curva 4, tirando os dois da prova e perdendo a chance de vencer mais uma vez em Indianápolis.

Todos então aproveitaram a bandeira amarela e foram aos boxes. Carpenter seguiu na liderança do grupo com Kanaan em segundo no pelotão dos que pararam. A relargada se deu na volta 56 e o rookie canadense Zachary Claman DeMelo que liderava ainda sem fazer sua parada, perdeu a ponta rapidamente para Carpenter e logo após a segunda posição para Tony Kanaan. Na volta 58, a segunda bandeira amarela foi dada com o abandono do inglês radicado nos Emirados Árabes, Ed Jones. O piloto escapou sozinho na curva 2, indo ao muro e deixando as 500 milhas. Na relargada, Tony Kanaan assumiu a ponta deixando pra trás Ed Carpenter na volta 64. Na volta seguinte, Ed Carpenter com um carro nitidamente melhor que dos demais devolveu a manobra e assumiu a ponta novamente, com Kanaan seguindo no encalço, não deixando o líder se isolar.

Dez voltas depois, Danica Patrick em sua despedida da Indy perdeu o controle de seu carro (que parecia instável desde o começo da corrida) e bateu, gerando a terceira bandeira amarela da prova. Alguns pilotos aproveitaram e mudaram a estratégia, parando neste momento. Newgarden foi um deles, arriscando um jeito novo de buscar a vitória. Nova relargada e mais uma vez, Tony kanaan assumiu a ponta na volta 73. Dessa vez, Carpenter não conseguiu retomar a ponta e o brasileiro abriu uma pequena diferença na ponta do pelotão. Kanaan liderou até a volta 90 e foi aos boxes. Carpenter recuperou a ponta momentaneamente até a volta 93, quando também foi aos boxes e perdeu a ponta para Kanaan novamente.

Foto: Chris Jones / Indycar.com

 

Entre seis e sete voltas depois quase todos os pilotos fizeram suas paradas. Spencer Pigot, nesta janela, teve de pagar punição após ultrapassar a velocidade regulamentar nos pits. E exatamente na metade da corrida, Tony Kanaan teve um pneu furado. Mesmo levando rapidamente seu carro aos pits, voltou a pista na volta 100 ocupando apenas a 25ª posição, uma volta atrás do então líder Graham Rahal, o que comprometeu completamente sua corrida e a chance de vitória. Na volta 107, Rahal fez sua parada. Power, Carpenter e Pagenaud vinham bem na briga pela ponta enquanto Kanaan voltava a andar na mesma volta dos lideres. Na volta 110, Hélio Castroneves mantinha a quinta posição como melhor brasileiro colocado na prova, sempre próximo dos líderes. Matheus Leist seguia na 11º posição em bom ritmo de corrida.

Na volta 115 o rookie Kyle Kaiser encostou nos boxes, abandonando a prova sem gerar conflitos para a corrida. Na volta 128, Ed Carpenter foi aos boxes. Pagenaud e Castroneves vieram uma volta depois. Mais uma volta e foi a vez de Will Power. Hunter-Reay e Dixon vieram em seguida. Após as paradas, Castroneves começou a andar muito forte, se transformando no mais rápido da pista e crescendo como favorito. Newgarden, numa estratégia diferente, liderava a prova até parar na volta 135.

 

 

Após um bom trecho sem acidentes, Sébastien Bourdais perdeu o controle de seu Dale Coyne Honda na volta 139 e abandonou a prova. A bandeira amarela abriu precedentes para se fazer contas em relação ao consumo de combustível até o fim da corrida que se aproximava. Alguns pilotos aproveitaram para fazer mais uma parada. Nova relargada na volta 146 e Alexander Rossi realizou uma lindíssima manobra pra entrar na briga, após largar na ultima fila e assumir a sexta posição. Não durou nem uma volta até que Helio Castroneves perdesse o controle de seu Penske amarelo na saída da curva 4, numa batida forte na entrada dos boxes, abandonando qualquer possibilidade de faturar sua quarta vitória nas 500 milhas.

A corrida entrou no último quarto em bandeira amarela com Will Power na liderança, se consolidando como um forte candidato a vitória. A relargada aconteceu na volta 154 com Alexander Rossi voando entre os primeiros colocados. Will Power mantinha a ponta com Carpenter colado nele. Menos de uma volta depois, novamente a bandeira amarela foi acionada. Sage Karam perdeu a traseira de seu carro que chapou o muro com o pneu traseiro direito, se soltando do bólido. Passou perto de outros vários pilotos, mas por sorte não envolveu mais ninguém. Na volta 161, foi dada a bandeira verde e a briga na frente esquentava. Enquanto Tony Kanaan buscava a recuperação vindo de trás e ganhando varias posições, a briga pela segunda posição era entre Rossi e Carpenter. Power seguia na ponta.

A corrida estava em aberto, faltando 30 voltas. Neste momento, Will Power que liderava veio para sua última parada. Depois foi a vez de Hunter-Reay e de Tony Kanaan. Ed Carpenter veio em seguida. Alexander Rossi também fez sua última parada logo após e fechando a turma, Pagenaud foi o último. Dessa forma, todos os postulantes a vitória foram parando enquanto ninguém podia saber quem tinha mais chances de vencer. Oriol Servià, Stefan Wilson, Jack Harvey e Scott Dixon lideravam a prova após as paradas, com estratégias diferentes. O pelotão com as paradas em dia se aproximava principalmente de Dixon, que andava mais lento buscando economizar combustível para ir até o fim. Faltando apenas 11 voltas, Tony Kanaan arriscando tudo o que tinha para buscar os líderes perdeu a traseira e também abandonou, perdendo a chance de sua segunda vitória na prova.

Foto: John Cole / Indycar.com

Cinco voltas depois a relargada foi dada novamente com Stefan Wilson (o irmão de Justin Wilson, falecido em 2015 numa corrida da Indy em Pocono) assumindo a ponta em bela manobra. Harvey seguia em segundo com Power em terceiro. Porém Wilson e Harvey não teriam combustível até o final e tiveram que parar, abrindo caminho para o australiano Power. Faltando três voltas, Will Power assumiu a ponta e abriu a última volta na liderança para não perder mais. Após anos perseguindo a vitória e sofrendo por vezes em sua carreira em ovais, o australiano enfim venceu. Carpenter foi o segundo, Dixon o terceiro, Rossi o quarto e Hunter-Reay fechando o top 5. O jovem Matheus Leist de apenas 19 anos foi o único brasileiro a completar a prova na 13º posição.

Power conquistou sua primeira vitória na prova, sendo mais um a vencer a bordo de um Penske, time com mais vitórias na corrida. Power é também o primeiro australiano a vencer a corrida e o segundo piloto da Oceania a faturar a vitória, depois de Scott Dixon. Power agora está na história do automobilismo mundial.

 

Foto: John Cole / Indycar.com

 

Foto em destaque: John Cole / Indycar.com

Danilo Dias

Danilo Dias

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