O futebol de rua e a várzea. A história da Beatriz

O futebol de rua e a várzea. A história da Beatriz

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quinta-feira, 02 novembro 2017
Futebol Feminino

Futebol é pra meninas, sim!

Começamos assim esse texto: Somos País do futebol certo?! Bom muitos brasileiros vivenciam o futebol o esporte amado por todos. E para todos os gêneros não é diferente. A visibilidade para o futebol feminino vem crescendo de forma continua. Mesmo com suas adversidades. Em 1981 aconteceu a legalização do futebol feminino pelo Conselho Nacional de Desportos, mas as mulheres foram impedidas, no entanto, de se profissionalizarem. O crescimento tem sido constante. Hoje as mulheres representam cerca de 10% dos futebolistas no mundo, totalizando 26 milhões. No Brasil, já são 80.000 mulheres.

A seleção brasileira feminina vem ganhando cada vez mais espaço e prestígio, isso tem atraído bastantes meninas interessadas em praticar a modalidade. Quem falou sobre isso e muito mais foi a lateral  Beatriz Ferro de 24 anos do Brasília futebol clube. Um clube de Várzea com muita tradição na zona sul de São Paulo:-  “Eu cresci assistindo futebol na sala acompanhada do meu Pai e meu irmão do lado. Desde muito pequena, aprendi a gostar muito desse esporte que sempre foi o meu preferido.” Disse Beatriz, jogadora do Brasília FC.

Foto: Disponibilizada pela assessoria do Brasília F.C.

A intimidade com a bola e com a modalidade a Beatriz já mostrava desde pequena: ” Com 6 anos de idade eu pegava a bola do meu irmão e ficava chutando sozinha. E com 7 anos comecei a jogar com ele e vários meninos da rua. Quando entrei na para o ensino fundamental com 10 anos participei do meu primeiro campeonato de intercalasse. Foi demais! Um sonho realizado. Dos 11 aos 15 anos  joguei no time da sala na qual estudava. Já com 16 anos fui uma das convocadas para defender a escola num campeonato interescolar.”

A lateral também contou de sua experiência de ir ao estádio pela primeira vez: ” A primeira vez que fui ao estádio eu tinha 8 anos, São Paulo x São Caetano , nunca me esqueço! Me emocionei muito. Depois desse dia nunca mais deixei de ir ao estádio.”

Mulher, amante do futebol Beatriz nunca deixou de jogar e acompanhar o futebol. Ao completar sua maioridade a lateral de ofício foi chamada para treinar em um projeto social. “Logo após que saí do colégio, comecei a treinar aos sábados num programa social. Futebol de salão. Mas devida as circunstâncias da Vida e outras responsabilidades da Vida adulta foram me afastando do futebol.” Contou Beatriz.

“Depois de oito anos fora das quadras encontrei o Brasília Futebol Clube, um time tradicional da Várzea com nome forte do masculino que estava começando um projeto feminino. Me senti em casa. Hoje estamos completando quase dois anos de time feminino. Conquistamos um espaço bem legal dentro de um time com muita tradição no futebol masculino.”

Sobre o preconceito no futebol feminino a jogadora do Brasília também falou sobre: “Admiro muito a garra do futebol feminino. Vivemos hoje em uma sociedade extremamente preconceituosa em que mulheres e homens, apesar das mudanças que já aconteceram, vivem uma desigualdade imensa. ” Mulher não pode jogar bola não! Homem não pode dançar ballet!  Limitam as pessoas de mostrar no que elas são boas. As mulheres vem ocupando seus espaços não somente em campo. Temos a Marta aí pra provar que não é só homem, que joga futebol. E temos muitas outras.”

Para ficar mais perto do futebol a lateral Beatriz chegou a pensar ser jornalista esportiva. ” Eu tive um blog quando eu tinha 16 anos que se chamava ” Fala, Beatriz.” Eu dava palpites da rodada e comentava os jogos. Parei justamente por conta do preconceito, me vi sozinha e não tinha maturidade pra entender e defender como faço hoje.” Concluiu Beatriz.

O futebol é pra meninas, sim!

 

 

Foto: Disponibilizada pela assessoria do Brasília F.C.

 

 

Foto em destaque: Brasilia FC/ Página do Facebook / Divulgação.

 

Redatora e reportagem: Juliane Santos, de Guarulhos

Juliane Santos

Juliane Santos

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