“É como se eu fosse uma criança jogando basquete com o Michael Jordan”, diz Adesanya sobre Anderson Silva

“É como se eu fosse uma criança jogando basquete com o Michael Jordan”, diz Adesanya sobre Anderson Silva

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domingo, 10 fevereiro 2019
MMA/UFC

 

Por: Eric Filardi, de São Paulo, SP

 

Na madrugada deste domingo (10), Anderson Silva, o “Spider”, entrou no octógono em Melbourne, na Austrália, pelo UFC 234, na luta principal, frente ao nigeriano Israel Adesanya. Era um encontro de gerações: Anderson fez história no extinto Pride e posteriormente chegou ao UFC e foi campeão dos médios, conquistando diversos recordes. Saiu de Coritiba, triunfou no Japão e, através dos Estados Unidos, conquistou o mundo. Enquanto isso, Adesanya estava “nas fraldas”.

Anderson “The Spider” Silva é considerado, pela maioria dos fãs do esportes e por especialistas, o maior lutadores de MMA de todos os tempos. Teve o mais longo reinado na história do UFC, com 2.457 dias. Isso começou em 2006 e terminou em 2013 e incluiu um recorde do UFC de 16 vitórias consecutivas nesse período. Dana White, presidente do UFC, e Joe Rogan, comentarista do UFC, estão entre inúmeros especialistas em artes marciais mistas que apontaram Anderson como o maior artista profissional de artes marciais mistas de todos os tempos.

 

 

Hoje, aos 43 anos, o Aranha não precisa provar mais nada para ninguém. É ídolo não só no Brasil, mas no mundo. É impressionante e emocionante ver um “senhor”, com o máximo respeito da palavra, fazer o que ele faz dentro de oito paredes. A Rod Laver Arena estava lotada não só para ver uma disputa de cinturão entre o australiano Robert Whittaker e o americano Kelvin Gastelum, cancelada por um diagnóstico de hérnia no abdômen, tendo que desistir da luta, mas também porque era a volta do Aranha após dois anos. E o público não se decepcionou em nada com a luta entre Anderson e Adesanya.

Ao estilo Spider, o nigeriano também utilizava muito bem o jogo de provocação e muay-thai, arrancando elogios do brasileiro no intervalo de um dos rounds. Em duelo equilibrado, a luta acabou decidida por pontos. Durante a luta, os gritos do público era evidente e ecoava: Silva, Silva, Silva! A vitória foi da juventude sobre a experiência. Mas a lição tirada é enorme. Anderson falou, ao final do confronto, que este é o esporte que ama e luta por isso. Porém, o que mais marcou ao final da luta foi a idolatria de Adesanya a Anderson.

 

 

Era nítido o respeito do rival com o brasileiro, que respondeu com carinho. Israel chegou a dizer, em português, obrigado ao ídolo. Disse que via seus vídeos, suas lutas e que era um exímio fã, tudo isso às lágrimas. Há momentos em que as máscaras da seriedade e da concentração de uma luta caem e os reais, sensíveis e humanos “homens” aparecem. Aspas porque é um menino que enfrenta seu ídolo, como ele mesmo disse:

É como se eu fosse uma criança jogando basquete com o Michael Jordan

Era uma criança de 29 anos, com 16 vitórias e nenhuma derrota no MMA, lutando contra quem se espelha e almeja trilhar o mesmo caminho vitorioso. São Andersons Silvas que inspiram pessoas a continuarem a buscar seus sonhos, a chegar no posto mais alto do pódio, da vida e, caso não conseguir ou tropeçar, não desistir. Porque a vida é isso, exatamente como demonstra Anderson em suas lutas, tomar socos na cara e sorrir, mas sempre contragolpear e não deixar a queda lhe abalar.

 

 

Pelé, Senna, Ronaldo, Marta, Guga e paro por aqui para não cometer injustiças com outros tantos ídolos Brasil afora, mas Anderson Silva já está em um patamar de alguém que colocou o nome do Brasil no topo de um esporte, e não chegou lá, como impôs respeito. E nesse panteão sempre tem espaço para mais um, mas não qualquer um. Humildade, talento, respeito e trabalho formaram este campeão. E mesmo que o cinturão já não lhe sirva mais, seja por não ser mais seu servo, por não ser mais campeão ou pelas gordurinhas da cintura já serem mais aparentes, seus feitos estão documentados, em matérias, vídeos, documentários, vídeos e o principal, na memória. Você inspira crianças do mundo, como este nigeriano que o derrotou no mais alto respeito e admiração.

Não há palavras para descrever o quão irreverente é ver suas apresentações. Um espetáculo à parte. Coração acelera, pernas tremem, unhas são roídas e fica assim, nessa tensão, durante toda a luta. Porque com esse mágico tudo pode acontecer, nada é impossível. Ele abaixa a guarda, sorri, chama o rival para a luta e começa a dar show. E que show. Imagine que o Deus do Trovão, Thor, estava na plateia para assistir a exibição do maior nome do MMA da história. Seria para aprender algo para salvar o mundo junto aos Vingadores? Fica a reflexão. Obrigado Anderson!

 

 

Foto em destaque: UFC/  Twitter

Eric Filardi

Eric Filardi

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