Coluna Toque de Letras: Velhos (e melhores) tempos

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sexta-feira, 31 agosto 2018
Copa Libertadores

Por: Ivan Marconato, de São Paulo 

De algum tempo para cá, o futebol brasileiro, que em tempos gloriosos podia ser definido como algo mais semelhante à arte, passou a ser altamente competitivo. Com raríssimas exceções, vimos bons times de futebol no Brasil nos últimos trinta e cinco anos.  Alguns exemplos vitoriosos, outros nem tanto. Assim, puxando pela memória, destacamos o Flamengo do início da década de oitenta. O São Paulo, do começo dos anos noventa. O Palmeiras de 1996, e seu ataque com mais de cem gols. O Corinthians dos anos de 1998 e 1999, e alguns outros elencos que agora me fogem à memória.

E por que lembrar-me dessas equipes?  Saudosismo é algo latente em minha personalidade, e por mais que a modernidade seja uma tendência, é impossível e pouco emocionantes não se lembrar desses grandes times do futebol brasileiro. E dos jogadores que deles faziam parte. Obviamente, que a tendência é achar que os dias de outrora eram bem melhores para o futebol brasileiro que os dias atuais.

Mas, a bem da verdade, eram melhores mesmo.  Muito melhores.  Se no banco de reservas tínhamos mestre Telê Santana, enaltecendo o futebol arte. Enquanto outro mestre, Armando Nogueira, emprestava seu talento e criatividade às páginas esportivas; tínhamos Denner, Djalminha, Ronaldo, Rivaldo e Romário, emprestando seu talento ao futebol brasileiro e desfilando sua arte pelos gramados do mundo afora.

Sou saudosista, sem dúvida. Mas fatos alheios ao futebol arte me deixam muito triste. E comprovam minha teoria de que o futebol que se via no Brasil há vinte anos era muito melhor do que o futebol que vemos hoje.  O volante palmeirense Felipe Melo, é um bom exemplo.

Felipe Melo, expulso contra o Cerro,levou cartão vermelho contra o Cerro , aos 3 minutos do primeiro tempo . FOTO: César Grecco. Agência Palmeiras

Afinal de contas, como é possível que um sujeito mal-educado, destemperado e completamente inconsequente em termos disciplinares numa partida de futebol, pode figurar entre os profissionais de um time grande como o Palmeiras? Seus defensores, enaltecem o fato do mesmo ter jogado em grandes times do futebol europeu, e só por isso, o credenciam com a alcunha de grande jogador. Para muitos, pode até ser. Não para mim!

No jogo entre Palmeiras x Cerro Porteño, que a Rádio Poliesportiva transmitiu na última quinta-feira. Felipe Melo levou o terceiro cartão vermelho na temporada. Até agora, o meia havia sido advertido com 18 cartões amarelos, e sido expulso outras duas vezes na temporada.  Costumo afirmar que Felipe Melo mais parece um elefante numa loja de cristais.  Atrapalhado, desastrado, só faz besteira e quebra tudo. Inclusive as pernas do adversário. E o mais grave, foi expulso com apenas 3 minutos de jogo.

Ele deixou as cravas de sua chuteira nas pernas do paraguaio Victor Cáceres, no jogo de volta entre Palmeiras e Cerro Porteño, válido pelas oitavas de final da Copa Libertadores.  Felipe Melo já está suspenso na Copa do Brasil, e não enfrentará o Cruzeiro no primeiro jogo semifinal. E mais: ele já levou nove cartões amarelos (três suspensões), em apenas 13 jogos disputados no Brasileirão. Em compensação, o cartão vermelho levado contra o Cerro, foi apenas o segundo, em sua passagem pelo Verdão. Afinal de contas, Felipe havia levado cartão vermelho no jogo contra o Corinthians. Na final do Paulistão.

Por esse destempero e despreparo. Concluo que os tempos idos eram melhores, bem melhores.

Foto em destaque: César Grecco- Agência Palmeiras

 

 

Ivan Luis Marconato Rocha

Ivan Luis Marconato Rocha

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