Coluna Toque de Letras: Tarefa ingrata

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terça-feira, 15 maio 2018
Copa do Mundo FIFA

Por Ivan Marconato, de São Paulo

 

Confesso que, ter o cargo de técnico da Seleção Brasileira de Futebol às vésperas de uma Copa do Mundo, não é uma tarefa das mais fáceis.  Tamanho o nível de cobrança interna e externa, além da ansiedade de disputar a competição mais esperada pelos amantes do esporte mais popular do mundo.  Mas em relação à Copa de 2018, as cobranças serão ainda maiores, muito maiores.

Maiores pelas circunstâncias em si.  As duas últimas partidas da Seleção Brasileira na última Copa do Mundo, comprovam minha tese.  Depois de 64 anos, a Copa do Mundo foi realizada em solo brasileiro. E os fantasmas que assombraram o establishment do futebol por 64 anos, foram definitivamente exorcizados. Até mesmo porque depois dos 7 a 1 diante da Alemanha no Mineirão, e os 3 a 0 para a Holanda, em pleno estádio Mané Garrincha em Brasília, fica muito difícil qualquer outra derrota brasileira ser lembrada.

Ainda que o futebol brasileiro tenha conquistado o inédito ouro olímpico na disputa da Rio 2016, será quase impossível apagar da memória a tragédia em que se transformou a participação da Seleção na Copa 2014.  Há quem diga que o cargo de técnico da Seleção Brasileira de Futebol, é tão importante quanto o de Presidente da República.

A Seleção Brasileira antes do jogo contra a Alemanha em Berlin. FOTO: Lucas Figueiredo CBF

Pela baixa qualidade e pela quantidade de escândalos que se metem os políticos brasileiros, a importância do treinador da seleção, a meu ver, foi ainda mais enaltecida, e ganhou muito mais importância perante a opinião pública.

Mas Tite, o técnico da Seleção, é competente, vencedor e acima de tudo, carismático. Tem em si características que há muito tempo estão esquecidas pelos brasileiros, como senso de justiça e crença num trabalho sério e responsável. Por isso, ele conta com o apoio não apenas da imprensa esportiva, mas também o crédito da opinião pública e dos torcedores em sua maioria.

Tite fez a convocação final dos 23 nomes que estarão na Rússia no próximo mês, em busca do sexto título de Copa do Mundo para a Seleção Brasileira.  A sorte está lançada para a Seleção Brasileira em mais uma Copa do Mundo, desta vez na Rússia.  São jogadores experientes, que atuam em sua maioria, em grandes clubes da Europa.  Talento e experiência, portanto, não lhes faltam.  Mas a tarefa de Tite e dos jogadores brasileiros é pra lá de ingrata. Afinal de contas, somente o título mundial aliado a boas apresentações apagarão as imagens deixada pela Seleção na última Copa.  E pelo nivelamento que as seleções do mundo têm no futebol de hoje, é muito difícil que os estigmas da Copa passada sejam definitivamente apagados.

 

Foto em destaque: Lucas Figueiredo – Site Oficial da CBF

 

Ivan Marconato é jornalista, pós graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte, e escreve semanalmente neste espaço a coluna Toque de Letras

Ivan Luis Marconato Rocha

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