Coluna Toque de Letras : Respeito

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segunda-feira, 12 Fevereiro 2018
Futebol Brasileiro

Quando comecei a trabalhar na imprensa esportiva, Neymar, o jovem atleta do Santos e da seleção brasileira, jogava seus últimos seis meses no futebol brasileiro. E pela primeira vez na vida, pude perceber como eram as tais “zonas mistas”, nas quais os repórteres esportivos se “engalfinhavam” em busca de 30 ou 40 segundos de entrevistas.

Eu achava muito esforço para pouco resultado, tendo em vista que, mesmo Neymar sendo o astro principal do time, a equipe do Santos, era formada por outros 10 atletas, que poderiam sim, me dar declarações tão importantes quanto às de Neymar, sobre aquela determinada partida. E mesmo que o destaque tivesse sido Neymar, a abordagem da minha reportagem poderia ser feita de forma diferente, bastava que eu usasse minha criatividade.

 

Oswaldo de Oliveira se irritou com repórter e foi demitido do Atlético MG . Foto: Youtube 

 

Na última semana, um episódio lamentável aconteceu. Após o empate por 1 a 1 entre Atlético e Atlético-AC, o ex-treinador do Atlético MG, partiu para cima do repórter Léo Gomide, da Rádio Inconfidência. Segundo Oswaldo, ele foi xingado por Gomide durante a entrevista coletiva, dizendo que havia ouvido o maior absurdo de toda sua carreira. “Acabei me exaltando e tive uma reação irracional”; explicou Oswaldo.

Depois da confusão da última quarta-feira, Gomide foi proibido de entrar na Cidade do Galo. E Oswaldo foi demitido. Por isso, o repórter publicou em sua conta do Twitter a demissão do treinador do Atlético-MG nesta sexta-feira. Bastou para os internautas fazerem a festa. A publicação viralizou e já tem mais de 3 mil curtidas e mais de 1 mil compartilhamentos.

Acontecimento completamente desnecessário.  De ambos os lados.  Afinal de contas, ambos estão lá para fazer o seu trabalho. O repórter, para perguntar e informar. O técnico, para responder, se quiser. Ou seja. É uma relação mútua, de interdependência. Ou ao menos deveria ser. É como diz o ditado: “cada macaco no seu galho”. As consequências e nuances dessa triste história não tem, e nem nunca terão, nada a ver com jornalismo. Beiram o sensacionalismo, a fofoca e o baixo nível. Características que nunca deveriam fazer parte do jornalismo esportivo.  Falta de respeito, que às vezes, acontece. Infelizmente.

 

Foto em destaque: Clube Atlético Mineiro / Divulgação

 

Redator: Ivan Marconato, de São Paulo
Repórter da Rádio Poliesportiva, jornalista e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Escreve semanalmente a Coluna Toque de Letras.

Ivan Luis Marconato Rocha

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